SER PAI...
é acima de tudo, não
esperar recompensas.
Mas ficar feliz caso e
quando cheguem.
É
saber fazer o necessário por cima e por dentro da
incompreensão.
É
aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura
intolerância
(mas
compreensão) com os próprios erros.
SER PAI...
é aprender errando, a
hora de falar e de calar.
É contentar-se em ser
reserva, coadjuvante,
deixado para depois.
Mas jamais falar no momento preciso.
É ter a coragem de ir
adiante, tanto para a vida quanto para a morte.
É viver as fraquezas
que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em
nome dele e de tudo o
que terá de viver para compreender e enfrentar.
SER PAI...
é
aprender a ser contestado mesmo quando no auge da
lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta
para quem a tem, e só se tem vivendo.
Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem
pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem
que percebam, para que consigam descobrir os próprios
caminhos.
SER PAI...
é saber e calar. Fazer
e guardar. Dizer e não insistir.
Falar e dizer. Dosar e
controlar-se. Dirigir sem demonstrar.
É ver dor, sofrimento,
vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos
filhos o que, a alma,
lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco.
É
jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição,
o seu lado fraco, desvalido e órfão.
SER PAI....
é aprender a sufocar a
necessidade de afago e compreensão.
Mas ir às lágrimas
quando chegam.
SER PAI...
é saber ir-se apagando
à medida em que mais nítido
se faz na
personalidade do filho,
sempre como
influência, jamais como imposição.
É saber ser herói na
infância, exemplo na juventude
e amizade na idade
adulta do filho.
É saber brincar e
zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar,
ensinar sem o
demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.
SER PAI...
é
saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso
mental, inveja, projeção de
sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta,
desilusão e a tudo responder com capacidade
de
prosseguir sem ofender;
de
insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo,
ponte,
mão
que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento,
enigma, pacificação.
SER PAI...
é
atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio.
O
máximo de convivência no máximo de solidão.
É,
enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o
filho
a
quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para
viver.
É
quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno,
por
tudo haver feito para deixar de ser importante.
FELIZ DIA DOS PAIS